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quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Tens o Mund(o) nos teus pés!



Pergunta 1: Quanto tempo perdem à procura dos novos ténis que precisam comprar porque os antigos já não têm rasto ou o vosso cão os roeu?
Resposta: Muito tempo, demasiado tempo, tanto tempo que até desespero.

Pergunta 2: Quanto tempo perdem à procura de meias próprias para corrida?
Resposta: Não perco. Vou ao Lidl ou Aldi e compro um pack de 5 pares por 10€. TOP!
 

E eu não era muito diferente disto, confesso.
Mas para quem tem uns pezinhos de Cinderela como eu, a saúde deles começou a preocupar-me cada vez mais. Porque se há coisa que eu não gosto nada é de terminar uma corrida ou um treino e ter bolhas que às vezes parecem outro pé, de tão grandes que são. E porque os packs de 5 meias são baratos, mas a qualidade da meia é tão boa que ao fim de duas lavagens o tecido parece lixa. E depois via por essa internet fora malta a fazer provas de 100kms sempre com as mesmas meias e, no final, os pés estarem impecáveis.



Foi então que apresentei o meu projeto para 2018 (que mais tarde vos falarei) ao Nuno Baixinho, o responsável da empresa RUNSOX em Portugal. E a primeira pergunta que me faz foi efectivamente que tipo de meias usava. Envergonhado fui enrolando para não afirmar que o que ele diz é a mais pura das verdades: “Um gajo é capaz de gastar 200€ nuns ténis, mas depois não gasta 10€ num bom par de meias.”

Lá lhe disse que as meias onde gastei mais dinheiro foi numas da marca Injinji, e que apesar de ter feito uma prova de 100kms com elas e os pés terminado em condições, gostei pouco da sensação de ter os dedos todos apertados.

E o Nuno “atirou” para cima da mesa alguns modelos da marca Mund e começou a explicar-me que isto e que aquilo, e que o tecido assim, e que a compressão assado, e que a malha coiso, e eu fiquei convencido. Não só porque não percebo nada do assunto, mas porque percebi que o Nuno tem muito conhecimento sobre esta matéria.


E o melhor conselho que vos posso dar é que se dirijam à loja dele e que ouçam, com ouvidos de ouvir, tudo o que ele tem para vos ensinar.


No final, quando me fui embora, levava 3 pares de meias para trail – Mund Trail, Mund Ultra Raid, Gococo Technical Cushion - e um par de meias de recuperação - Technosocks Medical Standard -, e estava em pulgas para as experimentar. E todas, excepto as Gococo, já foram usadas mais que uma vez.

Comecei pelas Mund Trail e a sensação que tive assim que as calcei é que estava a pisar nuvens de algodão. A meia adapta-se perfeitamente ao pé e quase que pensei que podia correr só com elas e deixar os ténis em casa. Só não o fiz porque elas são giras e não as queria estragar. Usei em treinos de estrada e em trilhos, e usei-as em provas de estrada. Curiosamente, foi com elas que bati o meu recorde pessoal na meia maratona! A performance das meias é de facto excepcional, permitindo ao pé respirar e o tecido não abrasa a pele. Não é que tenha chovido durante as minhas corridas, mas senti que os pés estavam sempre na temperatura ideal. Às vezes, com outras meias da treta, ao fim de algum tempo ficava com os pés muito quentes… para não falar das bolhas. Com as Mund ainda não tive este problema, e acredito que não o terei nunca.


Depois de um treino mais puxado, senti algum incómodo nos gémeos direitos e decidi que seria a altura ideal para usar as meias de repouso. Apesar de terem alguma compressão, não é exagerada e a sensação foi igual a usar calças de licra. A parte superior da meia, a costura, mantém o mesmo nível de compressão e para mim é o ideal, porque não gosto nada de sentir a zona abaixo do joelho toda apertada e a dificultar os movimentos. Usei-as desde o jantar até ao outro dia de manhã e senti-me bem melhor. Estas meias servem para ativar a circulação linfática ou o que é, e isso facilita na recuperação muscular. Mais uma vez, melhor do que eu, o Nuno explica-vos isto tudo e muito mais.

E finalmente experimentei as Mund Ultra Raid e… são tudo o que as Mund Trail são mas ampliado umas 10x! São, sem qualquer dúvida, as melhores meias que já usei! E mais não preciso dizer.


Há um “teste” que gosto de fazer ao material que uso, que é usar uma vez, não lavar, e voltar a usar. Podem chamar-me porco, mas quando os treinos são muitos e não há roupa suficiente para fazer uma máquina, há que usar o que já foi usado. Isto permite-me saber a real qualidade do tecido. E ambos os modelos da Mund passaram com distinção. Quando as voltei a calçar depois de usadas, o tecido estava seco e a elasticidade igual. O único senão, o cheiro, mas isso, pronto… 


Falta-me experimentar as Gococo, mas só o farei depois do Trilhos dos Reis, para as testar ainda antes de Sicó.

E vocês, que meias usam e recomendam?


segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

EDP Meia Maratona de Évora - uma monumental surpresa.

Há aqueles dias em que tudo nos corre mal durante a prova. Ou porque não levamos as meias preferidas, porque começamos a pensar se desligámos o gás antes de sair de casa, porque nos entra uma pedrinha para o sapato, porque aos 2kms já estamos com vontade de ir à casa de banho, etc etc e tal.. Mas depois há aqueles dias em que os astros se alinham todos e a coisa corre bem. Aliás, até melhor do que alguma vez pensado. Foi o que me aconteceu no dia 26 de novembro na EDP Meia Maratona de Évora, uma prova Running Wonders!



A minha mana já me andava a chatear a cabeça há muito tempo que nunca tinha ido correr a Évora. Que ia a todos os sítios menos ali, uma localidade que até é perto da casa dos meus pais. E algures no inicio de novembro desafiou-me a ir fazer a meia maratona de Évora, enquanto ela e outros membros da família iriam fazer a corrida de 10kms. E como quem desafia paga a inscrição, lá lhe disse que sim. A dois dias da prova diz-me que já não vai à corrida porque tem de ir trabalhar, e lá vou eu sem ela mas com o resto da família.

Encarei esta prova como uma oportunidade de fazer melhor que a Meia Maratona de Lisboa 2017, de 15 de outubro. Os treinos estavam mais em dia e começava-me a sentir bem melhor durante os mesmos. Treinei mais por Monsanto do que em estrada, nunca fiz mais de 14kms, mas acreditava que conseguiria um tempo entre 1h50m e 2h. Não seria o meu melhor tempo de sempre, mas estaria mais dentro daquilo que atualmente o corpo me permite fazer.

A casa dos meus pais é em Mora, que fica a cerca de 60kms de Évora, por isso, a saída ficou marcada para as 8h30. Tempo suficiente para chegar, estacionar e ir para a partida na Praça do Giraldo. Despertador para as 7h para ter tempo de comer em condições, acordo às 7h47 nem eu sei como. Pensei logo que estava a começar mal. A estratégia para a prova foi idêntica à da Corrida do Aeroporto 2017: usar equipamento de trail (meias e ténis) e Tailwind como hidratação/nutrição pré e durante prova. Assim, depois do banho o pequeno-almoço foi pão com manteiga e 250ml de preparado de Tailwind. Os restantes 350ml seria para ir bebendo até meio da prova.

Como eu era o único do grupo a participar nos 21kms, despedi-me deles e fui para a zona da partida, porque tanto a meia como a mini (10kms) começavam à mesma hora e no mesmo sitio, sem caixas de tempo ou de prova, e porque me disseram que ao fim de 200/300m as ruas afunilavam e seria complicado correr. Para quem não conhece Évora, esta é uma cidade onde a maioria dos atletas teriam muitas dificuldades em fazê-la porque estrada e passeio é tudo igual: em pedra da calçada!

Arranquei bem e com ritmo mais acelerado porque não gosto de ir a empatar quem vem atrás. Aproveitei as curvas, em que a malta se atropela para cortar 2metros do percurso pelos passeios, para os ultrapassar e ganhar algumas posições. Os primeiros 3kms da prova foram praticamente sempre a descer. Não há muito altimetria, mas corremos pelas ruas da cidade em ziguezague e acabámos por estar sempre a descer. Felizmente não choveu, ou algumas zonas seriam um autêntico deslizar até parar contra uma parede. Aos 3kms, quando já estávamos fora das muralhas, ia com 14' e a sentir-me bem a todos os níveis. Entrámos numa zona de alcatrão e plana, que me permitiu estabilizar o ritmo entre os 4'30"-4'45". Aos 5kms estava com 23' e começo a fazer contas de cabeça: "Ora, a continuar assim faço 46-47' aos 10kms, depois mais 1hora para os outros 11kms (já a contar com alguma quebra) e consigo acabar ali perto da 1h50'.. TOP!!". Continuei a impor o ritmo a que ia sem grandes dificuldades e bebericando o que me restava de Tailwind. A passagem aos 10kms deu-se aos 46' e tudo parecia bater certo com as previsões.

Comecei a pensar que, com jeitinho, conseguia uma tempo abaixo do que queria inicialmente.

Foi então que em determinadas ocasiões sentia que o estava a abrandar o ritmo. Olhava para o relógio e ia a 4'45". Dava ordem às pernas de acelerarem e elas respondiam de imediato que sim. A partir daqui deixei de olhar para o relógio e ir ao ritmo mais rápido que me fosse confortável. Se rebentasse, rebentava, mas não queria abrandar uma vez que me estava a sentir muito bem, sem qualquer tipo de dores, cansaço físico ou desmotivação mental. Decidi que só iria olhar para o tempo no marco dos 17kms e que queria estar com 1h30', para conseguir fazer os últimos 4kms em cerca de 20' e conseguir o objetivo. Como fui sempre a uma boa velocidade, nunca iam muito atletas ao meu lado. O que fiz foi escolher alguém que fosse uma centena de metros à minha frente e usá-lo como lebre para o ultrapassar. Ao fazer isto, quando dei por mim estava a ver a placa dos 17kms a umas dezenas de metros. Quando estava ao lado dela lá olhei para o relógio e por momentos pensei que alguma coisa estava mal, pois indicava 1h19'!

Comecei a pensar que, com jeitinho, conseguia ter um novo recorde pessoal.

O meu melhor tempo da meia maratona era de 1h43' e alcançado na Meia Maratona de Lisboa 2012. A conseguir manter o ritmo a que ia, ficar muito perto de 1h40' era possivel. Mas os 3kms finais seriam com algumas subidas, não muito inclinadas, mas longas o suficiente para fazer estragos.  Por uma ou outra vez tive de cerrar o dente e "obrigar" as pernas a darem um pouco mais para conseguir correr sempre abaixo dos 5'/km. O que consegui. Voltei a atravessar as muralhas e entrar na cidade, sabendo que os últimos 400m seria muito duros com uma subida de cerca de 10-15%, em calçada. Olhei para o relógio e percebi que se não quebrasse por nada, conseguia um tempo abaixo de 1h40'. Fui ao mais fundo de mim, gritei mentalmente, baixei a cabeça e acelerei com quantas forças me restavam!

Entrada nos últimos 30m, já com o sabor de novo recorde na boca!

Cortei a meta com 1h39'43"!

Esta é a minha cara de espanto por ter feito novo recorde pessoal!



Novo recorde pessoal, objetivo mais que cumprido e felicidade extrema por sentir que corpo e mente reagiram sempre bem. Se calhar alguma das minhas lesões no cérebro fizeram de mim um gajo que aguenta mais e melhor esforços físicos! É nisto que vou acreditar. :)

Quanto à prova, percurso agradável e desafiador, com muita gente a apoiar os atletas, excepto quando estávamos mais afastados da cidade e a percorrer partes de estradas nacionais. Abastecimentos nos sítios indicados e com muito voluntário. Mas, se calhar, dar uma maça inteira num abastecimento não será a melhor ideia! hehe Mais uma vez Tailwind mostrou-se uma muito boa opção, e as meias Mund as melhores amigas dos meus pés!