Bearded Runner on Instagram

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Decisões nada fáceis.

 
 
Ser-se inteligente também é conhecermo-nos a nós próprios, as nossas capacidades em determinado momento da nossa vida e as lutas que podem ser travadas.

E, neste momento, vivo uma espécie de paradoxo no meu cérebro, onde metade diz que consigo e a outra metade diz que talvez não seja bem assim. Passo a explicar:

A Corrida do Tejo deu-me um boost de ânimo incrível por ter conseguido um tempo abaixo do esperado e, acima de tudo, por ter consigo meter a cabeça a trabalhar quando as pernas queria abrandar. E saí de lá a pensar que a Rock 'n' Roll Lisbon Marathon seria uma hipótese viável. Que, melhor ou pior, a conseguiria terminar. Mas passei a semana seguinte sem treinar vez nenhuma, tendo decidido no domingo passado ir fazer um treino "longo". Queria fazer 21kms e perceber como é que as coisas estavam realmente. Decidi começar o treino no Parque das Nações, correr 10.5kms em direção à Estação de Santa Apolónia e voltar para trás. O terreno é plano e não teria de me preocupar em desviar-me de carros durante o trajeto todo. Às 18:30 (+/-) comecei o treino. As pernas estavam relativamente soltas e os pulmões a bombear ar com facilidade. Fiz os primeiros kms a um ritmo estável de 5:30/km, ritmo que pensava usar na maratona. Este ritmo permitiu-me chegar aos 10kms com um tempo de 59' e a sentir-me bem a vários níveis. Mais uma vez, como na Corrida do Tejo, quando as pernas queria abrandar, dava ordem à cabeça para as meter na linha, e elas lá coltavam ao ritmo que pretendia. A primeira vez que bebi água foi aos 13kms, quando já estava de novo a chegar à marina. Quando parei para beber e quis arrancar, as pernas mostraram-se muito relutantes em fazê-lo. Rapidamente estava a correr a um ritmo perto dos 6:30/km e quando pensava em acelerar, a coisa durava pouco tempo. Ao chegar aos 15kms de treino ia com 1h30m. Pensei para comigo "15+15= 3horas... +12kms= 1h10m... com jeitinho acabo ali pouco acima das 4h.". Foi também aqui que decidi enviar mensagem à namorada a avisar que estava bem e já a voltar para o carro. Ora como enviar mensagens e correr não dá muito jeito, parei. Parei e quando quis arrancar de novo, as minhas pernas pareciam as das estátuas que estavam ao meu lado: de pedra e sem se mexerem. Arrastei-me por mais 2kms até dar o treino por encerrado, totalizando 17kms em 1h44m.

Este treino fez-me perceber que a maratona no dia 15 de outubro não será a melhor ideia para quem ainda não está a 100% e está sem treino indicado para uma distância de 42kms. Já me doía os gémeos da perna esquerda (que foi o lado mais afetado pela perda de força) e por muito que a cabeça dissesse para as pernas se mexerem, não havia hipótese delas o fazerem. Caminhei os cerca de 700m que me separavam do carro e, enquanto o fazia, enviei mensagem a uma pessoa para saber se queria trocar o seu dorsal da meia maratona pelo meu da maratona. Houve resposta positiva da pessoa e um email enviado à organização a pedir a troca de dados (a qual ainda não teve resposta).

Assim, é muito provável que no dia 15 em vez de partir de Cascais, parta da Ponte Vasco da Gama e tenha de levar, ali nos kms finais, com a bomboca de subir a Avenida da Liberdade. Esta decisão não foi tomada sem pensar bem nela e, apesar de confiar em mim, acho que não vale a pena ir castigar o corpo com uma coisa que não me vai trazer nada de fantástico para a vida. Prefiro terminar a Meia Maratona mesmo que em dificuldades, do que arrancar para a Maratona e ter de desistir a meio, onde, provavelmente, nem haverá público para me ajudar. Pode ser que, entretanto, a coisa melhore, faça mais alguns treinos decentes e "pingue" um dorsal para a Maratona do Porto de alguém que não possa ir. :)

domingo, 1 de outubro de 2017

Corrida do Tejo 2017 - Quando um erro compensa.

A Corrida do Tejo 2017 ficou marcada por 3 acontecimentos, onde apenas dois deles mereceram destaque nos grandes meios de comunicação: a vitória masculina de Jesus España, um atleta espanhol; a vitória feminina por parte de Ercilia Machado, mesmo depois de uma queda logo nos primeiros 30/40metros; o engano do Bearded Runner que lhe permitiu fazer um tempo muito abaixo do esperado. Claro que sobre este último acontecimento só eu é que falo, mas pronto...





Mas vamos lá ao que interessa. Esta prova marcava, para além de um regresso mais auspicioso às corridas, o correr a primeira vez com a tshirt mágica da SPEM.



Depois da Corrida Sporting, em que não consegui fazer o tempo que queria por segundos, fui para esta com pouco treino mas com vontade de baixar dos 60minutos. Mais uma vez, pode parecer um tempo modesto para quem já correu 10kms em 42', mas as coisas são como são e tenho de me adaptar ao que tenho agora. Em agosto corri 3 vezes e em setembro fui um "treino" de bicicleta e corri 2 vezes, sempre distâncias abaixo dos 10kms. Apesar disso, no dia da prova, às 9:10 estava a estacionar o carro em Algés. Desta vez fui sozinho e, enquanto estava na minha zona de partida, senti um nervoso que já não sentia há algum tempo.

Sabendo de antemão que não iria conseguir um tempo maravilhoso, mesmo assim enviei um comprovativo de um tempo abaixo dos 45', de outra prova, e consegui um lugar na caixa sub45 e na primeira vaga. Fi-lo consciente que se partisse muito atrás e a ter de ultrapassar muita gente, não conseguiria meter um bom ritmo inicial e que comprometeria o tempo que queria obter. Assim, antes da partida, enquanto estava no meu mundo de pensamentos, olhei em redor a tentar encontrar o pacer dos sub50, de forma a colar-me a ele quando passasse por mim.

Tiro da partida e lá vou eu. Comecei a um ritmo ao qual há muito não corria, abaixo dos 5'/km, e parecia que ia a uma velocidade estonteante. Neste primeiro km fui ultrapassado por quase todos os que estavam atrás de mim, só ultrapassando velhotes que, vá-se lá saber como, partem nestas corridas colados ao grupo da elite, e vão o caminho todo a andar e a prejudicar quem lá vai para correr. Entretanto, vejo a passar ao meu lado um pacer, olhei para a bandeira mas estava toda enrolada e não dava para perceber qual era. Assumi que era o sub50 e mantive um ritmo em que ia atrás dele uns 100m. Estava a sentir-me bem, as pernas estavam a responder e os pulmões a trabalharem bem. De vez em quando olhava para o relógio e percebia que, se conseguisse manter aquele ritmo, conseguiria um bom resultado. Mas isto era anda o inicio da prova, onde tudo é plano. Quando cheguei à primeira subida, ali ao lado do Jamor, embora as pernas continuassem a responder, o ritmo passou logo para a casa dos 5.20-5.30'/km. Foi aqui que tive de usar a cabeça pela primeira vez e obrigar as pernas a não abrandarem. Pensamento de "sou capaz" e quando dei por mim já estava a descer. Aqui, como em outras ocasiões, tive de me lembrar do que o grande José Carlos Santos (que me preparou para o MIUT em 2016) me disse sobre aumentar velocidade. Não é alargar a passada, mas sim aumentar a cadência da mesma. E na descida já estava a abrir demasiado as pernas.

Por esta altura estava a aproximar-me do meio da prova e o pacer já era um ponto vermelho lá ao fundo. O problema de provas de estada com grandes retas é que vemos a malta lá ao fundo mas estão mais longe do que parecem. Encosto-me à esquerda para apanhar uma garrafa de água e quando olho para a direita o que vejo?! Outro pacer com uma bandeira azul... A bandeira não estava enrolada e, para meu espanto, era o pacer dos sub45'! Ou seja, durante 5kms corri atrás do pacer dos sub40' quando pensei ser o sub50'. Isto deu-me um ânimo extra de que estava a correr tudo bem. aliás, melhor que o esperado! Decido fazer o que fiz com o outro e tentar acompanhar à distância. Se o conseguisse manter debaixo de olho até ao fim, provavelmente conseguiria um tempo abaixo dos 50'.

Mas ali a partir dos 7kms começou a custar. As pernas não conseguiam manter o ritmo, por muito que a cabeça dissesse para acelerar. Tenho, inclusivamente, de parar um pouco para passar beber água e lavar a cara. O calor já se fazia sentir com força e as minhas pernas estavam a perder as forças. :) Quando me recompus, arranquei e ao chegar à ingrata subida dos 8kms, sou ultrapassado pelo pacer dos sub50'. Sabia que um tempo abaixo dos 50' estava fora de questão, mas teria de manter um bom ritmo para não deitar tudo a perder nos últimos 2kms. Fechei os olhos, cerrei os dentes e gritei mentalmente para as pernas se mexerem ou atirava-as ao mar.

Entro no último km, olho para o relógio e marcava 48' e fiquei naquela "Sub60' já faço de certeza, sub50' já não faço de certeza, mas um sub55' é bem possivel!". Decido que depois de contornar a rotunda em direção à meta que ia fazer um sprint final, mas não passou apenas de um pensamento, pois as pernas não aceleravam mais nada. Ao aproximar-me da meta vejo o tempo e ia ficar na casa dos 53'.

Cortei a meta com uma alegria tal que mais parecia que tinha feito uma maratona em menos de 3h! Fui buscar a medalha e tive pena de não ter lá a namorada para o beijinho da vitória e a mana para a foto da praxe. Consegui, desta forma, atingir o objetivo de melhorar o tempo da última prova e ficar num tempo próximo daquele que fazia quando comecei nisto das corridas. Há ainda trabalho para fazer, mas esta corrida deu-me outro ânimo para encarar a Maratona de Lisboa no dia 15 de outubro. Mais uma vez, não vou lá para melhorar tempo pessoal na distância, mas sim para a terminar sem problemas. Se o vou conseguir, acho que sim. Basta meter a cabeça a funcionar quando as pernas quiserem desistir.


Sobre a organização e prova em si. É uma prova que gosto e onde não inventando muito conseguem ter algo de muito positivo. O percurso é desafiante o suficiente para se tentar, anos após ano, bater recorde pessoal, temos o mar a brindar-nos mais de metade da prova, é um percurso propício a que haja público a incentivar-nos e há animação em vários pontos. Os blocos de partida e as vagas também ajudam a quem de acordo com os seus ritmos, o pessoal não se ande a empurrar/acotovelar/pisar durante a parte inicial. É daquelas provas onde realmente gosto de participar.


sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Um azar nunca vem só...

Na segunda-feira, se não bastasse já ter ficado com um períneo dorido, no final do dia um cão lembrou-se que era uma boa ideia abocanhar-me as costas. Nota para quem tem cães que não são de total confiança: usem trela ou açaime. Se têm pena de ter o animal fechado em casa o dia todo e quando chegam no final do dia querem que ele corra, um açaime resolve situações dolorosas para quem não tem culpa da vossa negligência.

Segundo a dona, quando lhe pedi para ver se tinha alguma coisa, "só uma coisinha"

E se não bastasse o tempo que tive parado sem treinar, agora que voltei a correr tenho uma ferida nas costas que me dói sempre que apoio o pé esquerdo no chão e o meu lado esquerdo trepida. Mas lá fui ver como as coisas estão para a Corrida do Tejo e até nem correu mal de todo. Senti menos as pernas presas ao longo da corrida, senti-me com mais capacidade torácica e a dor na ferida, embora se faça sentir a casa passada, é suportável.

Vou tentar ainda fazer mais um treino ligeiro amanhã ou no sábado e esperar que no domingo consiga fazer um sub60'. Sei que quando já se correu na casa dos 42', sub60 pode parecer modesto, mas há que adaptar os objetivos àquilo que o nosso corpo nos possibilita.

E já sabem, se forem à corrida no domingo e me virem, uma palavra de apoio vai ser o boost perfeito para ir até ao fim. :)

Aceitam-se ofertas de relógios bons

Ps: o relógio não está muito bom, e embora o tempo esteja correto, marcou cerca de 500m a mais.

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Continuo a preferir correr...

Antes de começar nisto das corridas, experimentei as bicicletas. Na altura acabei por desistir porque ao fim de duas semanas já não me conseguia sentar onde quer que fosse, tais eram as dores no períneo. Isto foi há 8 anos. Desde então não mais andei de bicicleta.

Até à segunda-feira passada, dia em que decidi dar mais uma oportunidade. Mas agora, em vez de andar pelas planícies alentejanas, andei pela cidade, cheia de semáforos e carros e peões. Foi uma volta pequena, 15kms em 1h34m (já fiz corridas desta distância mais rápidas), mas o suficiente para perceber que andar de bicicleta na cidade não é tarefa fácil.... se se cumprir todas as regras.

Saí da Alta de Lisboa pela ciclovia que a liga à Avenida do Brasil, desci em direção ao Campo Grande, onde apanhei a ciclovia que segue pela Avenida da República e pela Avenida Fontes Pereira de Melo. Desci até à Rotunda do Marquês, que contornei e subi pela Avenida Duque de Loulé. O caminho pela Duque de Loulé até ao Saldanha foi pela estrada, uma vez que ciclovia já não existe e o passeio é para os peões. No Saldanha voltei a entrar na ciclovia e regressei a casa por onde tinha vindo.

Algumas considerações:
- as ciclovias são constantemente interrompidas por obras ou por passeio,
- há zonas onde os peões têm de andar na ciclovia porque não há outro espaço para circularem,
- há automobilistas que há falta de passeio, estacionam na ciclovia,
- há automobilistas que abrem as portas sem olharem se vem alguém a passar,
- carregar no botão dos semáforos é o mesmo que não o fazer, pois numa zona com pouco movimento, esperei 5 minutos para atravessar duas vias, uma vez que tinha de carregar em dois semáforos seguidos,
- há pessoas que seguem completamente alheias ao mundo na ciclovia (tive de gritar cuidado uma vez),
- nem todos os que andam de bicicleta respeitam as regras de trânsito,
- desconfio que faço este percurso mais rápido a correr.
- continuo a ter um períneo muito sensível.

Apesar de andar de bicicleta não ser a coisa que mais me agrada, muito menos numa vertente citadina, é algo que vou incorporar nos meus treinos para conseguir atingir os pequenos objetivos a que me proponho em 2018.

Próxima etapa: comprar uns calções almofadados!

O meu equipamento de bicicleta é o de corrida... pois...

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Vamos lá então a isto de novo? Vamos!

Antes de mais quero começar por agradecer a todos os vossos comentários no post anterior. Apesar de não vos ter respondido, li todos e agradeci mentalmente a cada um de vocês.

A verdade é que não foi fácil lidar com as coisas e, embora o desabafo me tenha feito bem, o ânimo andou para cima e para baixo, deixando-me sem vontade do que quer que fosse. Mas mesmo assim decidi que tinha de retomar o meu dia a dia em todas as suas vertentes, entre elas, a corrida. E comecei a acordar e a querer ir correr, até para perceber como é que o corpo iria reagir. E todos os dias não passava dessa vontade. Precisava de algo mais. Foi então que me inscrevi na Corrida do Tejo. 10kms para tentar correr sem parar e voltar pelo menos a correr na casa dos 50minutos, se possível abaixo dos 55'. Mais uma vez, os objetivos têm de ser em concordância com as possibilidades e condições físicas de cada um. E se na Corrida Sporting falhei um dos objetivos por poucos segundos, desta vez gostaria de alcançar os a que me proponho. Esta corrida vai ser a minha primeira a correr com a tshirt da EM'Força!

E lá fui treinar... 3 vezes durante o mês de agosto! Um treino de 7,60kms em que ao fim de 4kms já deitava os pulmões pela boca e sentia as pernas pesadas, demorando 48'. Um segundo treino, 2 semanas depois, de 10kms pela Quinta das Conchas, mais uma vez com dificuldades na caixa torácica e nas pernas a partir dos 7kms, demorando 64'. E um terceiro treino, no dia a seguir ao segundo treino, com a intenção de fazer o mesmo percurso mas mais rápido, mas que infelizmente nem o fiz mais rápido nem o fiz completo, porque a partir dos 5kms estava em claras dificuldades, fazendo 9.3kms em 63'. Em resumo, preciso treinar o cardio e as pernas, que à mais pequena subida começam logo a fraquejar.

Mas 10kms são só 10kms e melhor ou pior conseguirei fazê-los.

O pior... o pior foi no dia 1 de setembro, em que ganhei um passatempo da Holmes Place para um dorsal de uma corrida. E qual, perguntam vocês?! Fácil! Para a Rock'n'Roll Maratona de Lisboa no próximo dia 15 de Outubro! Isto significa que tenho cerca de 40 dias para me preparar para a prova rainha da estrada! 40 dias!!! Se formos a ver o que tenho treinado e como me tenho sentido durante os treinos, todos chegamos à mesma conclusão: estou completamente tramado (sim, vamos usar a palavra tramado).

A outra conclusão que chego é que tenho de começar a treinar a serio se quero chegar ao final antes de começarem a arrumar o pórtico da meta. E a partir de amanhã, custe o que custar, com ou sem vontade de calçar os ténis e sair para a rua, vou mesmo fazê-lo. Entretanto o meu irmão emprestou-me uma bicicleta antiga dele e só estou à espera que os pneus cheguem para começar a dar umas voltas nela. O gajo bem que me podia ter emprestado a Scott dele, mas achou que era areia demais para a minha camioneta!

A ver se não chego assim


Vou também tentar andar mais ativo por aqui. Tenho algumas ideias para dinamizar o blog e quero pô-las em prática. Quero também voltar a ler o que têm escrito nos vossos blogs para as coisas serem o que eram novamente.

E, claro, quero muito, muito, voltar a correr em trilhos!

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Vou contar-vos uma história.

Olá.

Puxem de uma pedra e sentem-se aqui perto da lareira enquanto vos conto uma história.
A história de como, num espaço de um ano, se passa de um tempo de 43' para 60' numa prova de 10kms.

Em 2016, na Corrida Sporting, estava em grande forma. Apesar da lesão no MIUT em abril, consegui terminar a OMD 100K em junho e em julho acabei por fazer um tempo melhor que o esperado nos 10kms em estrada: 43'. Depois disso, os treinos e provas ficaram um pouco para segundo plano pois tinha começado um trabalho novo, o de consultor imobiliário na KW Ábaco. Quando pensei que iria ter mais tempo livre, foi o inverso. É verdade que a minha capacidade de gerir o tempo não é das melhores, mas, ao contrário do que se pensa, esta profissão não é fácil, ainda para mais quando se começa do zero, sem base de dados de clientes vendedores e compradores.

Mas adiante... A coisa lá começou a correr bem e a conseguir os primeiros negócios, e, um pouco mais animado com tudo (€€€€!!) decidi voltar a dedicar um pouco do meu tempo à corrida. Aqui já estamos em abril de 2017 e, desde setembro, os treinos/provas podiam ser contados pelos dedos das duas mãos. Mas o trabalho apertou e acabei por nunca ir correr. No dia 11 de maio, a minha empresa tem o chamado Red Day em que todas as agências fecham as portas para dedicarem o seu tempo a ajudar uma causa social. Apesar de ter dito que ia, não o fiz porque a minha perna esquerda não me estava a responder bem. Tinha dificuldades em mexê-la, levantá-la e o pé arrastava pelo chão. Comecei a pensar que pudesse ser falta de exercício ou de alongamentos, pelo que os comecei a fazer e, de facto, sentia os músculos presos. Passados dois ou três dias a perna continuou igual e comecei a sentir formigueiros e dormências no braço direito. Como em 2015 tinha tido uma situação semelhante (mesmos sintomas) e o RX no hospital não detetou nada, a médica receitou-me um relaxante muscular, passado uns dias senti-me melhor, e foi por isso que, desta vez, fiz o mesmo e tomei novamente os relaxantes. Mas, mesmo assim, não senti qualquer tipo de melhoria. Continuei a trabalhar, a fazer visitas com clientes, mas, dia após dia, sentia-me a piorar. Comecei a ter uma ligeira sensação de névoa no olho esquerdo e que enrolava a língua quando queria falar. Conduzir começou a ser uma tarefa difícil devido a todos os sintomas. Foi então que no dia 17 de maio fui para o Hospital de Santa Maria para perceber o que se passava. Uma amiga que é lá médica deu-me indicação  para a chamar quando lá chegasse e  acompanhou-me durante e depois da triagem. Fui para a consulta de neurologia e, após alguns exames iniciais, fui fazer um TAC. Depois foi esperar pelo resultado. A primeira vez que voltei a falar com a médica que me viu inicialmente, disse-me que queria falar melhor com o chefe dela. Às 16h, 7 horas depois de lá ter entrado, a médica vem ter novamente comigo e diz-me que tem algo para me propor mas que eu talvez não vá gostar. Lá me disse que era ser internado porque era a forma mais rápida de fazer uma ressonância magnética. A outra opção era ir embora e esperar 4 meses por uma vaga. Olhei para a namorada, ela olhou para mim e dissemos que sim. Às 23h estava a ser encaminhado para o meu quarto. No dia seguinte, quando me preparava para ir comer o almoço, já tinha o tabuleiro à minha frente, aparece uma enfermeira a correr e tirou-me a comida debaixo do nariz, porque ia fazer a ressonância durante a tarde. Às 15h estava a fazê-la. Algum tempo depois, vem a médica interna de neurologia com o meu diagnóstico: Esclerose Múltipla.

O choque só não foi maior porque desde que fiz o TAC já se suspeitava disso. Acabei por me ir mentalizando que, se fosse esse o caso, não valia a pena começar a sofrer por antecipação. A doença não tem cura, mas tem tratamento e casos de pessoas que passam anos sem qualquer tipo de surto. E como há 4 tipos de EM, dependendo da sua gravidade, e só se sabe qual é com o passar do tempo, fiquei mais "descansado". Ao ponto de me rir da situação quando a médica estava a falar comigo. Claro que não era um riso de alegria, era mais de nervosismo, mas que não se consegue controlar. Comecei imediatamente o tratamento com corticóides, diretamente na veia, e fiquei no hospital durante 6 dias. Durante esse período de tempo, fiz análises ao sangue e um exame aos olhos. A pouco e pouco a coisa foi melhorando. Já conseguia andar um pouco melhor e já tinha força suficiente na mão esquerda para comer sem ajuda, embora a coordenação não fosse a melhor. Passados esses 6 dias saí do hospital e voltei para casa, ainda não totalmente recuperado mas a caminhar nesse sentido.

Mas ao segundo dia em casa, sozinho porque a namorada foi trabalhar, é que a coisa me bateu a sério, quando me tentei levantar da cama e o lado esquerdo não respondia às ordens do cérebro e não tinha força, finalmente, desabei e larguei as primeiras lágrimas. Lá consegui enviar uma mensagem à namorada a perguntar se podia vir para casa, o que fez imediatamente, ficando de baixa para acompanhamento de familiar. Quando chegou e me abraçou, novas lágrimas, num misto de tristeza por mim e de imensa gratidão na mulher que tenho a meu lado. No dia 31 de maio fui à primeira consulta de acompanhamento. Basicamente falar com o especialista para me tirar algumas dúvidas e definir o tratamento que irei fazer para já. A decisão recaiu sobre um injetável que faço de 15 em 15 dias. Não é o tratamento mais eficaz, mas é o que apresenta menos efeitos secundários. Uma vez que a doença é crónica e a medicação terá de ser durante o resto da vida, convém começar assim. Cerca de uma semana depois, quando as coisas pareciam estar a melhorar, os formigueiros e dormências do lado direito voltaram, e desta vez apanhavam todo o lado direito. Literalmente dos pés à cabeça. Quando a enfermeira veio a minha casa para me ensinar a dar a injeção, disse-me que isto não seria um novo surto, mas ainda efeitos do anterior e que o calor imenso que se fazia sentir podia estar a influenciar. Decidi ir dormir para a sala e deixar a janela aberta. Ao fim de 4 noites as melhorias eram significativas.

Foi então que decidi voltar a correr e inscrever-me na Corrida Sporting. Mas ir correr 10kms mês e meio depois de um surto, com os efeitos da medicação e sem treinar há vários meses não era a melhor ideia. Assim, na semana antes da prova corri duas vezes: 4kms em 27minutos e 5.85kms em 37minutos. Em ambos os treinos percebi que as pernas estavam 'presas' e que a prova ia ser dura, principalmente a subir a Fontes Pereira de Melo. E não me enganei. Aliás, qualquer subida, mesmo que ligeira e curta (túneis do Campo Grande) me causava enorme dificuldade a correr. As coxas estavam nitidamente a sofrer e a pedir para parar. Sabendo que iria ter estas condicionantes, fui para a prova com dois objetivos: fazer a prova toda a correr e terminar antes dos 60minutos. Consegui o primeiro - embora tenha obrigado o cérebro a mandar as pernas correr, pois se parasse já não devia conseguir voltar a correr -, mas falhei o segundo por 59 segundos - terminando a prova em 60'59". Sim, parecem objetivos pequenos, mas temos de os adaptar à realidade do momento.

E é por isto, meus amigos e minha amigas, que de um ano para o outro um gajo faz 17minutos a mais na distância de 10kms. Isto não quer dizer que vou parar de correr ou de querer fazer algumas provas. Como sabem, tenho o MIUT para terminar e quero que seja já em 2018 (a inscrição vai ser feita em outubro e espero que em abril continue sem surtos nem nada do género), quero tentar uma prova de 100 milhas (talvez a OMD) e gostaria muito de fazer um Ironman. Como é óbvio não vou fazer tudo ao mesmo tempo, nem tão pouco de forma apressada. Vou, primeiro, perceber como é que a EM me condiciona e, a partir daí, gerir as coisas para atingir os meus objetivos. A única certeza que tenho é que não vou deixar que a doença me impeça de lutar por aquilo que quero e gosto.

Mas afinal o que é a esclerose múltipla? É uma doença auto-imune que afeta o sistema nervoso central. Em forma resumida, o meu sistema imunitário assume que a mielina (camada que reveste o SNC) é uma intrusa e que tem de a atacar e destruir. Quando isto acontece, o cérebro começa a perder a capacidade de comunicar com o resto do corpo. Se quiserem saber mais sobre a doença, o melhor é irem ao site da SPEM. Está lá toda a informação que precisam.

Agora... agora resta-me conviver com a doença e 'rezar' para que os surtos não mais apareçam.
Nunca desistam e lutem sempre por aquilo que gostam. Tracem objetivos e vão atrás deles, mesmo que os outros vos digam que "é demais para ti". A força está no crer, a meta está no querer.

terça-feira, 4 de julho de 2017

Corrida do Sporting 2017

Olá caros amig@s desta coisa das corridas!

Já tinham saudades minhas, já não se lembram de mim ou tanto vos dá como se deu?

Acredito que ainda haja por aí umas almas que até sentiam um pouco a minha ausência.

Mas se há altura em que volto sempre de certeza, é na corrida do Sporting. Posso estar sem correr meses, mas a inscrição e participação nesta prova é 100% garantido. E este ano voltei a repetir o ritual de estar a saltitar à espera do "tiro" de partida. Depois esta prova, apesar de ser em asfalto tem alguma partes mais complicadas (os túneis do Campo Grande e subir a Fontes Pereira de Melo), principalmente para quem apenas fez dois treinos antes da prova - um treino de 4kms e outro de 5,85kms. Mas consegui fazê-la toda sempre a correr, o que foi uma vitória. Acreditem!

A corrida do Sporting tem algumas características que me agradam muito: o horário, a partida, o percurso e a chegada.

O horário: Ao contrário da grande maioria das provas, a corrida do Sporting começa às 20h30, e a explicação é muito simples e concordo com ela a 1000%. Não é por causa do calor, não é para se ver o estádio iluminado ou as luzes da cidade. É apenas para que quem vem de fora de Lisboa, de norte a sul do país, consiga chegar a horas sem ter de se levantar de madrugada. Mais, é possível fazer inscrições na corrida de última hora, para o caso de algum acompanhante decidir participar ou não se ter inscrito no período normal.

A partida: Dá-se numa das laterais do estádio e permite aos atletas contemplarem um dos estádios mais lindos de Portugal. Permite ainda que os acompanhantes dos atletas os consigam ver e desejar boa sorte. Apesar disto, continua a haver, 200m depois da partida, uma zona de afunilamento onde a passagem fica muito dificultada. Quem arranca na elite e muito próximo dela consegue evitar a chatice de estar a levar com o pessoal que parte no fundo do pelotão mas que quer à força toda ganhar a corrida. Nunca ganham. A única coisa que conseguem é acotovelar e pisar quem está a evitar passar sem atropelar.

O percurso: Sai-se do estádio em direção ao Campo Grande, seguimos a Avenida da República, descemos a Fontes Pereira de Melo e voltamos para trás no cruzamento da Augusto Aguiar. Este percurso aliado à hora da corrida faz com que haja sempre muito público a ver passar os atletas, e isso é sempre algo motivador.

A chegada: É dentro do estádio, o que, para os adeptos, é sempre algo espetacular. Já entrámos e subimos logo para a parte relvada atrás da baliza onde estava o pórtico da chegada, já demos uma volta ao fosso antes de subir para o relvado, já terminámos mesmo à entrada do fosso, subindo logo de seguida para a parte relvada... Mas este ano foi uma grande desilusão, pelo menos para mim, quando o pórtico da chegada estava dentro do fosso e foi por aí que se continuou até sair para as bancadas, onde, finalmente, se conseguiu ver o relvado.

Sobre a minha prova. Devido a alguns condicionantes, fui com dois objetivos muito concretos: conseguir fazer a prova toda a correr e terminar abaixo dos 60 minutos. Se consegui o primeiro, o segundo falhei-o por 59 segundos. Para o ano há-de correr melhor. A única certeza que tenho é que, a haver nova edição, lá estarei.


O tempo de 2016


 O tempo de 2017



Sobre o porquê desta (des)evolução, contar-vos-ei tudo brevemente.